terça-feira, 31 de julho de 2012

Não volte para o ninho, meu passarinho!


Abriu a porta número 24. Era domingo, ou quarta-feira. Não importa. O nome que dão aos dias são banais. Dar nome as coisas, enumerá-las, grandes banalidades. Colocou o pé direito na primeira tábua do chão. Dizem que dá sorte. Pisou tão firme que naquele instante evitou qualquer azar futuro. Pé direito, coração dançante, o planejado piso de madeira escura. Subiu o olhar vagarozamente. Sentiu o cheiro de lar preencher as vias-respiratórias. Era exatamente igual, por dentro e por fora... Só amor. 

Os minutos passavam. Continuou parada no mesmo X vermelho imaginário. A marca de "aqui é o meu lugar" e a fita para ser desenlaçada. Ele prometeu que haveria fogos de artifício. Tirou os olhos do chão e só admirou as cortinas que lembravam sorvete de baunilha nas quatro vidraças sujas, um sofá com jeito de abraço, o tapete e a banheira. Os livros, os filmes, os discos estavam dispostos no canto esquerto, enfeitando a escrivaninha e a vitrola. Algumas fotos penduradas para matar as saudades de ontem. No canto direito a cama deles, bagunçada, usada. Abriram mão das paredes na construção daquele ninho: voavam como passarinho, nada os dividia, nada os separadava. Um mundo inteiro em alguns metros quadrados. O único mundo que importava existir. 

Caminhou alguns passos e fechou a porta. Piscou, piscou, piscou. Pés descalços. Acendeu a luz do abajour. Ouviu o barulho familiar do gato carente, que se aproximava preguiçoso e se enroscava no seu tornozelo. Agora que estava do lado de dentro não podia voltar. Estava presa. 

Não volte pra casa meu amor que aqui é triste
Não volte pro mundo onde você não existe
Não volte mais
Não olhe pra trás
Mas não se esqueça de mim não
Não me lembre que o sol nasce no leste e no oeste morre depois
O que acontece é triste demais pra quem não sabe viver pra quem não sabe amar

Não volte pra casa meu amor que a casa é triste
Desde que você partiu aqui nada existe
Então não adianta voltar
Acabou o seu tempo acabou o seu mar acabou seu dia
Acabou, acabou

Não volte pra casa meu amor que aqui é triste
Vá voar com o vento que só lá você existe
Não esqueça que não sei mais nada, nada de você
Não me espere porque eu não volto logo
Não nade porque eu me afogo
Não voe porque eu caio do ar
Não sei flutuar nas nuvens como você
Você não vai entender que eu não sei voar
Eu não sei mais nada

segunda-feira, 30 de julho de 2012

É tão cedo que já é tarde demais


"Na mudança de postura a gente fica mais seguro.
Na mudança do presente a gente molda o futuro."

Mudança de postura? Minha postura mudou, literalmente. O problema é que mantê-la no eixo significa deixar a coluna eréta. É assumir meus 1,80m. Sou quase do tamanho de um muro, difícil camuflagem. Apesar de tentar a mistura, me evidencio. Oi.

Falei, mas não disse nada. Afinal, do que trata esse post? Hoje não pretendo reclamar, mas talvez o faça [é da minha natureza]. Proponho uma reflexão sobre o imediatismo que nossos desejos imploram [talvez eu fuja do tema, há muito para ser compartilhado]. Por que não mudar o presente para moldar o futuro, como na canção? Aliás, tocou no rádio do meu carro esta manhã, enquanto eu corria já quarenta minutos atrasada para aula. Estudar letras é sinônimo de engolir sapos? De arriscar a vida no trânsito? Eu deveria dar um grito de horror, largar tudo, comprar uma Combe e escrever um livro. Pessoas com quem me obrigo a conviver estão no meu falido blog, mas jamais estarão no meu livro. Aproveitem esse espaço, fiquem, vai ter bolo! Mas cuidado, de boazinha só tenho a cara. E minhas receitas só não são piores que sua imagem no espelho.

Vamos nos confortar no clima de despedida, time! A mudança de cinco anos atrás moldou meu hoje. E quero fazer desse hoje diferente para que daqui a cinco anos eu possa reescrever. Ou, escrever emoções mais puras. Fazer dos meus desejos de agora bons em qualquer tempo. Querer sem deixar de aproveitar esse instante. Querer numa verdade tão cristalina que viva na ansiedade pelas próximas semanas. Querer sem me corromper por deformações. 

Eu sofro do mal de acreditar nos seres humanos. Espertas são aquelas que sabem que qualquer mulher inteligente e com um pouco de sangue frio sempre conseguem o que querem. Meu sangue é quente demais. Sou a pessoa mais quente da face da terra. *balde de água fria*. Mas, tudo bem, hoje eu cantei The Doors, dancei no meio da rua, e já tenho um advogado a minha disposição. Em suma, o azar nunca foi meu. E é tão cedo que já é tarde demais.

Preciso me lembrar de começar a realmente ouvir o que as pessoas têm a dizer, e não fantasiar que elas estão querendo dizer outra coisa. Problemas de ordem semântica. Fecho os olhos e volto para a noite em que não ouvi, mas interpretei. 


quarta-feira, 25 de julho de 2012

Se houver a greve... O grito!


O que vai ser da minha vida se a universidade entrar em greve? Uma sensação horrível de que todo o meu destino será decidido na próxima quarta-feira. E isso não é verdade. Não pode ser verdade. Eu tenho que ser/ter mais do que um curso universitário. Enfrentar uma greve agora seria um caos. 

Vamos aos fatos.

Cinco anos atrás, quando eu ainda era uma garotinha de família, decidi que o melhor seria ir embora para uma terra muito muito muito distante. A terra do pé vermelho. 

Como eu imaginava ser minha vida: Eu iria morar num flat, tendo uma empregada 24 horas a minha disposição. Estudar as coisas mais legais do mundo, fazendo de mim a intelectual mais famosa do Brasil. Seria amiga de todos os cabeludos paranaenses e frequentaria uma cena rock'n'roll super badalada. Acordaria tarde, e linda, todos dias. Faria compras, tomaria banho de banheira, e nada poderia dar errado. 

Como foi a minha vida: Fui morar numa republica imunda com outras três meninas - uma ladra, uma porca, uma xarope. Nos cinco anos de curso tive um aproveitamento intelectual de aproximadamente 40%, visto que mais da metade das coisas que aprendi são inuteis, cansativas e repetitivas. E claro que não sobrou tempo para me dedicar as paixões. Conheci muitas pessoas, mas passei tempo demais com um cabeludo só. As festas sempre foram bem divertidas, mas nunca acordei linda no dia seguinte e muito menos tinha uma banheira para tomar banho. Dinheiro contado, compras de vez em quando parceladas em mil prestações, e muita coisa deu errado.

Apesar das coisas terem sido bem diferentes do programado, também foram divertidas. Uma grande experiência. E agora chegou o final, faltam pouquíssimos meses, pouquíssimos momentos, pouquíssimas coisas inuteis para serem aprendidas. E no momento da despedida encontra-se a possibilidade de romper esse percurso e depois, de alguma forma bizarra, ter que continuá-lo. Não, não vejo a possibilidade de quebrá-lo. Isso simplesmente não pode acontecer. Por isso, nesse momento, estou tendo uma conversa muito séria com Deus. E ele sabe, é agora ou nunca. 

Se numa remota possibilidade longínua aconteça mesmo a tal greve, e no ano que vem eu tenha que voltar pra cá concluir os dois últimos bimestres de faculdade?

Como eu imagino que vá ser minha vida: Vou organizar uma festa de comemoração ao prolongamento das férias. Voltar no clima de alegria para passar mais um tempo na casa dos meus pais. Passear, fazer muita festa, acordar tarde todos os dias, e tomar muitos banhos de banheira. Depois de estar bem relaxada e recomposta, fazer minha mudança para Campinas e começar uma nova faculdade. Arranjar um emprego super legal no qual eu trabalhe pouco, ganhe muito, e possa aperfeiçoar meus talentos artísticos. Acordar linda todos os dias, e viver numa liberdade incontestável. Levarei de Maringá os bons amigos, as boas lembranças, aprendizado e nenhuma saudade. [só vai faltar o mais importante: o diploma. mas, eu tentei, e não posso fazer nada, vai reclamar com a Seetemar!] 

Como vai ser minha vida:  

Não poderia terminar esse post se não com um... * profundo suspiro *. 




terça-feira, 24 de julho de 2012

Devaneios em um tempo que não passa


Parar, olhar e perceber o quanto as coisas podem mudar em tão pouco tempo. Esse é um daqueles momentos assustadores da vida. Inevitável, uma hora tinha que acontecer. Aconteceu. Parece que em cinco segundos, sentada no meu sofá, revivi momentos pesados, questionei minha postura do passado, e confrontei minha postura do presente. Mudei. Para melhor? Para pior? Preciso pensar sobre isso. 

No fundo sei que sou a mesma. Mas ando confundindo sinais de maturidade com covardia. Eu era intensa, hoje sou ponderada. Mas aí, reflito sobre algumas atitudes e vejo que não, não sou ponderada. Porque qualquer outra pessoa com um nível mínimo de ponderação não iria. Eu fui. Acontece que a Gabriele do passado também iria, mas a postura dela seria outra. Antes era só intensidade, hoje penso. 

Estou nostálgica. Com saudades de um tempo em que eu não tinha aula, e voltava para Maringá só para festar. Uma liberdade impagável que foi arrancada de mim por histórias mal resolvidas. Histórias que não tenho culpa de ter vivido. Estou meio traumatizada e tenho dificuldade de conviver com pessoas feias. Eu não era assim. E quando digo feias quero dizer pessoas que valorizam tudo, menos o cérebro. Sinto preguiça. 

'As paixões vem para te preparar para o amor'. E por algum acaso os devaneios vem para te preparar para lidar com a vida real e com seus próprios defeitos? Com uma licença poética digo é mais dificil depois que você enxerga os próprios defeitos. 

Alguém, pelo amor de Deus, me diga que hoje já é Novembro e eu já posso voltar! 

domingo, 22 de julho de 2012

Um jogo: a vida. Objetivo : o bom humor. Competidores: minha pequena parte x minha grande parte. Acessórios: uma tesoura. Que vença a melhor... FIGHT!


Meu estado de espírito alegre e meu bom humor não couberam na mala. Ou será que os esqueci pelas terras do interior paulista? Fato é que preciso deles para fazer o tempo passar mais rápido e agradar aqueles que apreciam minha presença por aqui. Mesmo porque eu fico feliz quando eles estão por perto. Nessa noite, principalmente, afinal, é véspera do recomeço da minha rotina de estudante. Eu diria universitária, mas rotina de universitária é beber, cair, levantar. E a minha está mais para estudar e ensinar, com pequenas doses de loucura entre uma coisa e outra. 

Já que pelo visto não os terei de volta tão facilmente, ontem resolvi criar estratégias para reinventá-los. Era sábado. E sábados são propícios para reinvenção de alegria e bom humor, não é? É, não deu certo. Mas, a tentativa foi válida. Comecei selecionando um look no qual eu me sentisse bastante atraente. Executei os rituais de beleza ouvindo as melhores músicas da minha banda preferida. Reuni as amigas mais animadas e dispostas. E recebi um convite excelente: show do meu talentoso amor platônico. Positividade em excesso para mim, para você. 

Houve diversão e alguma ilusão. Mas o objetivo não foi alcançado. Acordei, saltei na cama, abri todas as gavetas, olhei de baixo do colchão, atrás do guarda-roupas [o eterno ninho de lagartixas imaginárias], dentro da cesta de roupas sujas, na estante de livros. Procurei, procurei, procurei. Nem sinal de vida dos danadinhos. Não reinventei minha alegria e bom humor. Conclusão: preciso aprender a viver sem eles. Mas, não quero viver sem eles. Nesse caso, preciso entender o porque deles não estarem aqui. Encontrar a razão do problema. Cortar o mal pela raíz. 

Uma sábia amiga deu o seguinte depoimento: 

"Quando mando meu filho desligar o jogo de video-game ele fica muito nervoso e irritado. Então, eu digo para ele 'Se isso é um motivo de ansiedade, se ficar sem jogá-lo te deixa tão bravo e te faz tanto mal, é melhor você nunca mais repetir essa ação." 

Na sua opinião, como o filho da minha amiga deve agir?
a) Ficar com raiva das ordens da mãe e jogar o video-game na parede. Afinal, é impossível aceitar pacificamente as dificuldades que a vida impõe para ele e seu querido jogo.
b) Acatar as ordens da mãe e nunca mais voltar a jogar esse jogo. Afinal, existem muitos outros jogos mais divertidos, mais fáceis, e menos 'causadores de ansiedade'. 
c) Chorar. Afinal, é muito triste perceber que um jogo tão especial é capaz de deixá-lo nervoso somente por ficar um tempo longe dele.
d) Deixar de jogar por um tempo, mas sempre dando uma atualizadinha pra ver se já pode trocar moedinhas por vida. Afinal, é só um jogo.
e) Jogar esporadicamente e não sofrer quando não o fizer. Afinal, está sempre ocupado com muitos outros jogos.

A verdade é que eu conheço a razão do problema. Mas, uma parte muito grande de mim se recusa a cortar o mal pela raíz. Aí, deixo a tesoura guardada num local onde a outra pequena parte não consegue alcançar. Enquanto isso, continuo mal humorada, distante do estado de espírito de alegria, mas muito reflexiva. E refletir faz bem. Principalmente porque refletir me dá uma mínima esperança de, assim como Drummond, ver uma flor brotar no asfalto. Se minha pequena parte encontrar a tesoura, ela pode causar um grande estrago. Porque as coisas podem realmente acontecer do jeito certo. Jeito certo = o jeito como eu quero que elas aconteçam, atendendo as minhas necessidades, me recriando. 

Minha pequena parte disse que precisa encontrar a tesoura, pois isso tudo nunca vai acontecer do jeito certo. Principalmente porque esse jogo exige um oponente. Ou melhor, um parceiro. [Preciso começar a gostar de jogar paciência!]. E ela sabe que eu costumo dar importância demais para coisas que merecem importância de menos. [Preciso de um dosador com urgência!] 
Minha grande parte, a outra parte, disse que lamenta muito. Afinal, ela sabe... Pessoa certa. Distância errada.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O oito, o oitenta, ou a mudança.


Fica em paz, menina! Acalma o seu coração. 

Como? Como se nada parecido com isso aconteceu anteriormente? Se não tenho o norte, não posso simplesmente traçar um mapa. Não sei qual seria o sabor das coisas se elas fossem mais fáceis. Somente o que não quero me é dado de mão beijada. E mesmo assim, o bônus sempre tem um ônus. Existem coisas. Coisa que eu procurei. Mas e agora que eu não sei lidar com elas? É bom, e ainda assim eu mal sinto vontade de falar sobre isso. Quase colocando meu cérebro dentro de um liquidificador. E uma dúvida muito sólida: o oito, o oitenta, ou a mudança. 

O problema da terceira opção, a mudança, é que com ela vêm o medo. E eu não estou disponível para ele. Preciso crescer. Nessas horas um tabefe na cara me cai bem. Alguém? 

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Barriga nova e outros itens básicos de sobrevivência


Acabei de fechar o zíper da mala que contém os itens básicos de sobrevivência do último semestre em Maringá. [tequila, vodka, absinto, dreher - porque eu prometi pra um amigo que nós tomaríamos o dreher depois de perguntar 'deu duro?' e também vou deixá-lo jogar campari no meu vestido branco sexy]. Do último semestre do curso de Letras. Do último semestre de uma rotina que um dia muito me alegrou, mas enjoei, não me completa mais. 

O tempo está passando rápido demais. Parece que foi ontem o dia em que eu estava arrumando a mala para o mês de férias. O tão sonhado, esperado, alarmado mês de Junho. Aguardei pelo menos uns dez anos da minha vida por esse bendito mês. Realizei um sonho impagável. Um sonho impagável que o dinheiro pagou. Na verdade, impagável é a felicidade de ter esse sonho realizado. Quem acompanhou o percurso dos últimos dois anos da minha vida sabe exatamente do que estou falando. Renasci a dois anos atrás. E nesse junho, rerenasci. Doeu, cansou, assustou, mas valeu apena. 

Pensei "é a última vez que você vai me ver assim" quando me olhei no espelho do meu quarto, em Maringá. E logo menos eu estarei lá, olhando para ele novamente. Ansiosa por esse momento. Tanta coisa mudou, e eu continuo a mesma. A mesma se "mesma" significa diferente e melhor. E eu tenho tanto para agradecer. Sou grata especialmente a minha mãe e minha avó que tanto me ajudaram e apoiaram. Sou grata ao Universo que conspirou a favor, mantendo a minha decisão e minha calma. Tudo deu tão certo, e já passou. 

Agora não quero mais saber de malas. Que venham as caixas de papelão! Uma cidade nova, uma casa nova, um curso novo. Afinal, a barriga nova eu já tenho. E ela vai ficar ainda mais linda quando estiver habitando um novo endereço. 

domingo, 15 de julho de 2012

Quantos sonhos cabem em um metro e sessenta centímetros?


Uma conversa dominical despreocupada me levou a refletir sobre sonhos. Não sonhos das nuvens, sonhos que são possíveis projetos. Mais tarde peguei uma revista aleatória na qual está publicado um guia com 10 passos que prometem ensinar como transformar sonhos em projetos. Vocês acreditam que alguém foi pago para escrever uma ladainha dessas? Me pergunto se existe algum leitor capaz de acreditar e seguir as tais dicas. Existe receita para bolo, para remédio, mas não para concretização de sonhos. 

Preciso ter sonhos. Sonhos = Respiração. [*inspira, expira* você não perguntou se eu sofria de problemas respiratórios?]. Mas, não preciso ter projetos. Não aos vinte e dois anos. Preciso? Há controvérsias. Claro que espero ter todos eles realizados, mas para isso não existe pressão, nem prazo, nem burocracia. Muito menos existe método, receita, dicas, passos. E mesmo longe de serem projetos, meus sonhos também abrigam grandes inseguranças. Me arrisco a dizer que há muito pesadelo dentro deles. 

Então, a pessoa que está sendo homenageada e implícitamente referida, me perguntou "Por quê você fez esse blog?". Minha querida, te respondo com sua própria afirmação: "Acho que talvez eu esteja sonhando demais!". E na posição de sua amiga, tenho um presente para você:

10 passos para continuar sonhando demais

1. Ter em mente que mesmo não sendo as certas, suas escolhas foram o melhor que você pôde fazer. Nossas escolhas dependem do momento. Momentos mudam, passam. Portanto, escolhas combinam e descombinam, mas quando feitas de coração, prosperam. 

2. Aguarde suas recompensas, elas não tardaram. Afinal, uma pessoa que se sacrifica pelo próximo, como você, merece um baúzinho cheio de moedas de chocolate. 

3. Foi científicamente comprovado que sonhar demais estimula sorrisos. E quanto mais você sorrir, mais feliz estarei. Continue sonhando pela minha felicidade. 

4. Acreditar que mesmo os sonhos demasiadamente insanos tem sua razão de existir. Estou certa de que um dia alguém sonhou que língua e orgão sexual feminino combinavam. Houve um sonho bizarro antes da existência de uma das melhores coisas do mundo. ["parabéns pelo exemplo, Gabriele!" "obrigada, leitor!"]

5. Mantém seus cabelos bonitos, sedosos e brilhantes. Sonhar faz bem pra saúde, não custa nada e é mais eficaz que Shampoo. 

6. Lembrar sempre que sonhar demais é uma das poucas atitudes humanas que não comportam preconceito, inveja, intorelarância e outras sensações horríveis. Porque sentimentos ruins são reais, já os sonhos, nem sempre. 

7. É um ato que não precisa ser realizado isoladamente. Isso quer dizer que você pode sonhar demais e ao mesmo tempo comer um bombom, escutar uma boa música, pintar as unhas dos pés, ir ao supermercado, etc. Não ocupa seu tempo, e ainda tem o poder de o multiplicar. 

8. Faz de você uma pessoa grandiosa, ainda que meça 1,60m. 

9. Não sonhar demais é GAME OVER. E você não foi tão bem educada para jogar a toalha. Porque depois da tempestade sempre vem a bonança. E mesmo se a bonança não vier, eu topo tomar um banho de chuva contigo. Sonhar nos une. 

10. Permanecer fiel aos seus valores, apegada a suas qualidades, disposta aos seus anseios, firme a suas fraquezas. Permanecer assim, do jeitinho que você é, uma sonhadora incorrigível. 

Informação banal e importante, ao mesmo tempo 

Enquanto estava escrevendo fui lembrada de que alguns sonhos são mesmo impossíveis. São do tipo "isso nunca sairá do papel". Mas, tudo bem. Prefiro pensar que coisas que foram feitas para não darem certo não merecem espaço no campo dos meus devaneios. Assim como pessoas que não estão disponíveis a compartilhar sonhos comigo não merecem o tal baúzinho cheio de moedas de chocolate. 

[Ao que parece estou contradizendo os 10 passos que eu mesma formulei. Provando que não existe manual! Ainda bem que minha intenção não era fazer disso um método eficaz, mas sim provocar um sorriso numa certa baixinha que mora no meu coração].  




sábado, 14 de julho de 2012

Gabriele está num relacionamento sério com O MATADOR DE LAGARTIXAS


Aqui é a minha varinha de condão e minha mente criativa a fada madrinha. Pretendo realizar alguns desejos. Me permito fantasiar enquanto narro. Conheça aqui ninguém mais, ninguém menos que:

O príncipe encantado da Gabriele. 

Um excelente matador de lagartixas, na primeira vassourada a destrói e ainda mostra o cadáver para acalmar meu coração. O sorriso mais aberto do mundo para exibir os lindos dentes. As mãos especialmente macias, dedos compridos, mão de artista. Alma livre, pronto para acatar as idéias mais doidas. Não deixa de fazer nada por mim, mas tem preferência por fazer qualquer coisa ao meu lado - "É um prazer estar na sua companhia" "Pra mim também, meu bem". O cheiro da pele que combina com a minha [não precisa usar perfume. o cheiro dele me entorpece]. Senso de humor elevado, ri das minhas piadas sem graça e quando eu resolvo chorar me manda calar a boca. Porque meu príncipe não fomenta problemas, nem apresenta soluções mágicas, só está ali, ao meu lado, na tempestade e na bonança. 

Acha bonitinha minha interpretação de "I could be your sunshine girl or the company for your misery I could be the quiet one or the life of the party whatever you need, I'm your girl" usando o rodinho do banheiro como microfone. Faz amor comigo no edredom com cheiro de amanciante. Me come dentro do carro, no farol vermelho. E esse farol vermelho é bem demorado. Não tem um cavalo branco, mas uma moto, ou um fusca. E não liga de ter de vendê-lo para aplicar na compra da nossa combe. Carrega uma foto 3x4 minha na carteira. Tem nome e sobrenome suficientemente bonitos para combinar com "Gabriele Sanches está num relacionamento sério com x x x". Escreve e espalha bilhetinhos pela casa. 

"Acabamos de terminar e continuo pensando no quanto de amor você tem, o quanto você é boa menina, busca intensidade e gosta de coisas realmente intensas, ao extremo mesmo, nossa, teu amor é... lavou minha alma, aí tive uma reflexão em mente assim algo fabuloso... cuida de mim, Gabi. come on baby and light my fire!"

Mudou de cidade, estado, país, galaxia para estar comigo. Deixa eu escrever poesia em suas costas, e depois retribui essa brincadeirinha com deliciosos beijos na minha tatuagem. Tem sonhos grandiosos - ambição é seu sobrenome. É tão lindo, provocando inveja alheia. Mas, sua beleza é tão natural que combina perfeitamente com a minha. É uma pecinha esculpida para mim, tem as minhas medidas. E quando nos desencaixamos passamos super-bonder e grudamos de novo, e de novo, e de novo, e de novo. É viciado em cinema, não liga de assistir cinco filmes seguidos... chorar em um, sentir raiva no outro. Nossa interpretação é somada. Lê sempre os livros que recomendo, mesmo que seja "de menina". Não tem preguiça de pensar. De fazer sinapse. Seu cérebro funciona muito bem, obrigado. 

Sabe dançar. Tem ritmo tanto no corpo, quanto na voz. Adora ficar em silêncio - Ele diz que "até o silêncio ao meu lado é delicioso". É um errante, mas sabe pedir perdão e me convencer de que está tudo bem. Simplesmente porque ele existe, é a minha metade, está ali para mim, então está tudo bem mesmo. Surpreendente, sempre fazendo o contrário do que espero. Acontece que até o contrário dele é ótimo. Mesmo porque se o contrário for ruim, ele coloca o pescoço no meu nariz e o cheiro da sua pele me engole. Pede minha opinião. Aí eu digo uma besteira, afinal o personagem é ele. Eu sou de carne, osso e sangue. 

Fiel, mais confiável que minha própria sombra. Dependendo da luz a sombra pode estar distorcida. Ele, nunca. A forma como beija é na medida certa - lábios úmidos, a língua no simétrico instante, uma mordida na vontade de comer. Tem uma linda barba, aí como é sexy. Se não fosse tão italiano, seria um latin lover. Gosta de cozinhar. Sua palavra preferida, assim como a minha, é "paçoca". Não mente, prefere ser torturado com alicatinho de cutícula a mentir, omitir, negar. Tem uma ingenuidade de menino, mas é homem com H maiscúlo. Independente, bem criado, sonhador. Disponível, paciente, inteligente. Não permite que eu sinta saudade, porque mesmo quando está longe me dá a segurança de saber que lá ou aqui, é meu

Agora vem a irônia de toda essa idealização. Prepare seu coração, leitor!  

O "bilhete" reproduzido é verdadeiro, mas é uma pena que tenha sido a única coisa coerente que o indivíduo nº1 fez durante o tempo que passamos juntos - um chato, mal humorado e mal resolvido. O indivíduo nº2 mudou de cidade para estar perto de mim, mas é uma pena que essa mudança tenha sido a cereja do bolo para o fim do nosso "amor" [enxergue essa aspas em negrito, porque é amor entre aspas MESMO]. Quando eu e o viciado em cinema, indivíduo nº3, assistíamos a um filme ele me beijava nas horas mais emocionantes e depois, quando subiam os créditos, nosso assunto estava morto e enterrado. Quando o indivíduo nº4 me disse que até o silêncio ao meu lado era incrível quase chorei de emoção, mas é uma pena que ele só tenha curtido esse silêncio todo porque o barulho poderia atrapalhar suas viagens provocadas por entorpecentes. E como mentia esse indivíduo nº4, hein. O indivíduo nº5, leitor das minhas leituras, caiu do limbo da paixão e quis brincar de Werther e Lotte, me assustei e fugi. Quando escrevi poesia nas costas do indivíduo nº6 tive que lavar o lençol porque ele se irritou com as marcas de caneta. O matador de lagartixas tinha medo do escuro. O brincalhão era ruim na cama. O que eu quis que ficasse, partiu. E foi assim que eu encontrei, espalhados pelo mundo das possibilidades, os fragmentos do meu príncipe. 

Torço para que muito em breve eu possa fazer um post contando como foi que ele finalmente saiu da fantasia. E depois disso, também vou mudar meu status do facebook, na condição de que seu nome NÃO seja 'Benedito Frôscolo Jovino de Almeida Aimbaré Militão de Souza'. Então, no verão, a época da procriação, ele matará todas as lagartixas. E talvez eu esteja tão feliz que não sinta medo da sua iguana. 

Quão irônica seria minha vida amorosa se Ele, ainda que seja meu príncipe, tenha uma iguana no quintal de casa? 

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Como se comprometer e/ou comer uma banana


"Esse negócio de amor de malandro só dá certo em ópera do Chico Buarque." 

Amor de malandro? 

Engraçado como desde que fui iniciada nos "jogos da paixão" nunca permaneci por muito tempo solteira. Entretanto, estive sozinha grande parte dele. As pessoas estão sempre envolvidas, mas nunca estão verdadeiramente acompanhadas. Porque ser acompanhado, assim como ser companhia, dá muito trabalho. Ainda mais num mundo em que existe tanta disponibilidade, facilidade e um bando de gente bonita amontoada andando na mesma direção, contando as mesmas histórias. Eu, particularmente, gosto mais de uma boa conquista do que das facilidades que constantemente me são oferecidas. Machuca, mas prefiro a estrada. 

Uma vez me falaram que eu era perfeita demais e isso espantava "pretendentes". Primeiro que "predentende" só me serve se a pretenção for me fazer feliz [é egoísmo, mas eu tenho que ser a líder]. Segundo que essa afirmação é escandalosamente absurda. Tenho muitas qualidades, e uma vontade enorme de me transformar em homem e flertar comigo mesma. Mas, se eu fosse mesmo perfeita, estaria acompanhada e seria companhia. Outro motivo que me leva a regar esse jardim são as milhares de regras que precisamos seguir. Odeio regras. E o jeito que gosto de conduzir as coisas não combina com o resto da humanidade. Então, eu fico assim, meio perdida. E se eu resolvesse fazer exatamente aquilo que estou com vontade? Mas, e se for cedo demais? E se não der certo? E se ele tiver chulé? E se ele não gostar do dedo mindinho do meu pé? E se, E se, E se, E se, infinitamente... 

Houve um tempo, com menos experiência, que eu tinha coragem e dançava a minha música. Não pensava no "E se". Não pensava. Depois de tanto soco no estômago me tornei uma banana. Sou bonintinha, devia ser piriguete. Mas eu, muito burra, emburreci de vez e me tornei indiferente. Uma boboca que finge não acreditar, acreditando. Aí, então, quando você menos espera, no meio de seis bilhões de pessoas [é esse o número de habitantes  da terra?], está um malandro, pronto para te endoidecer e te colocar numa fruteira. Você não se importa mais de ser uma banana, desde que seja a dele. 

Se eu pudesse ter um desejo realizado escolheria comprometimento. Pena que isso não existe. Mais fácil chover sapos [referência cinematográfica]. Como mensurar o imensurável? Como transformar uma semente tão singela em árvore? Eu quero ter uma árvore com alguém que entre tantos explodiu. Ainda que essa árvore seja uma bananeira. Não quero um amor de malandro. Só quero muita malandragem no amor. 

E agora vem o mais difícil. A realidade. Saber que ele existe. Esteve. Está. Mas que merece um morango, uma pêra, uma tangerina... Não uma banana. 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A noite da inauguração

Aqui eu vou divagar, devagar. Contar como é ser tão mar, ser mar e sertão. Por enquanto, enquanto ser sou Gabriele: não sou um pouco, sou muito. Estudo Letras, mas aprendo Vida. Moro longe de mim, tenho síndrome de Peter Pan e vivo três anos em três dias. Minha intensidade é proporcional ao meu quadril. Sou grande, tentando ser inteira. Escrevo, mesmo que você não precise ler. Mas, se ler, não se limite a decodificação. José Saramago recomenda "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

Tenho poucos vinte e dois anos e muita história para contar. A principal delas - talvez a que eu mais deva compartilhar - é a de como com apenas duas décadas de vida consegui me dividir e multiplicar, ao mesmo tempo! Primeiro eu virei metade, depois, duas. Duas Gabrieles, ao mesmo tempo? Penso que o mundo não comporta. Muitas vezes sou mais barulhenta que um rojão, mais chorona que carpideira bem paga, mais louca que Jim Morrison interpretando The End. Outras vezes, sou uma princesa, a boneca da mamãe, não sei de onde brota tanta fragilidade. Sou e deixo de ser, o tempo todo com a diferença de que agora eu quero contar. Porque eu preciso. Eu preciso contar, preciso refletir sobre cada coisa, e transformar em "literatura". Porque quem sabe assim consigo deixar minhas histórias mais bonitas, ou pelo menos, eternizá-las.

Aqui começo.

Corto a faixa vermelha de inauguração e proponho um brinde de champanhe.

[explosão de fogos de artifícios imaginária].