Meu estado de espírito alegre e meu bom humor não couberam na mala. Ou será que os esqueci pelas terras do interior paulista? Fato é que preciso deles para fazer o tempo passar mais rápido e agradar aqueles que apreciam minha presença por aqui. Mesmo porque eu fico feliz quando eles estão por perto. Nessa noite, principalmente, afinal, é véspera do recomeço da minha rotina de estudante. Eu diria universitária, mas rotina de universitária é beber, cair, levantar. E a minha está mais para estudar e ensinar, com pequenas doses de loucura entre uma coisa e outra.
Já que pelo visto não os terei de volta tão facilmente, ontem resolvi criar estratégias para reinventá-los. Era sábado. E sábados são propícios para reinvenção de alegria e bom humor, não é? É, não deu certo. Mas, a tentativa foi válida. Comecei selecionando um look no qual eu me sentisse bastante atraente. Executei os rituais de beleza ouvindo as melhores músicas da minha banda preferida. Reuni as amigas mais animadas e dispostas. E recebi um convite excelente: show do meu talentoso amor platônico. Positividade em excesso para mim, para você.
Houve diversão e alguma ilusão. Mas o objetivo não foi alcançado. Acordei, saltei na cama, abri todas as gavetas, olhei de baixo do colchão, atrás do guarda-roupas [o eterno ninho de lagartixas imaginárias], dentro da cesta de roupas sujas, na estante de livros. Procurei, procurei, procurei. Nem sinal de vida dos danadinhos. Não reinventei minha alegria e bom humor. Conclusão: preciso aprender a viver sem eles. Mas, não quero viver sem eles. Nesse caso, preciso entender o porque deles não estarem aqui. Encontrar a razão do problema. Cortar o mal pela raíz.
Uma sábia amiga deu o seguinte depoimento:
"Quando mando meu filho desligar o jogo de video-game ele fica muito nervoso e irritado. Então, eu digo para ele 'Se isso é um motivo de ansiedade, se ficar sem jogá-lo te deixa tão bravo e te faz tanto mal, é melhor você nunca mais repetir essa ação."
Na sua opinião, como o filho da minha amiga deve agir?
a) Ficar com raiva das ordens da mãe e jogar o video-game na parede. Afinal, é impossível aceitar pacificamente as dificuldades que a vida impõe para ele e seu querido jogo.
b) Acatar as ordens da mãe e nunca mais voltar a jogar esse jogo. Afinal, existem muitos outros jogos mais divertidos, mais fáceis, e menos 'causadores de ansiedade'.
c) Chorar. Afinal, é muito triste perceber que um jogo tão especial é capaz de deixá-lo nervoso somente por ficar um tempo longe dele.
d) Deixar de jogar por um tempo, mas sempre dando uma atualizadinha pra ver se já pode trocar moedinhas por vida. Afinal, é só um jogo.
e) Jogar esporadicamente e não sofrer quando não o fizer. Afinal, está sempre ocupado com muitos outros jogos.
A verdade é que eu conheço a razão do problema. Mas, uma parte muito grande de mim se recusa a cortar o mal pela raíz. Aí, deixo a tesoura guardada num local onde a outra pequena parte não consegue alcançar. Enquanto isso, continuo mal humorada, distante do estado de espírito de alegria, mas muito reflexiva. E refletir faz bem. Principalmente porque refletir me dá uma mínima esperança de, assim como Drummond, ver uma flor brotar no asfalto. Se minha pequena parte encontrar a tesoura, ela pode causar um grande estrago. Porque as coisas podem realmente acontecer do jeito certo. Jeito certo = o jeito como eu quero que elas aconteçam, atendendo as minhas necessidades, me recriando.
Minha pequena parte disse que precisa encontrar a tesoura, pois isso tudo nunca vai acontecer do jeito certo. Principalmente porque esse jogo exige um oponente. Ou melhor, um parceiro. [Preciso começar a gostar de jogar paciência!]. E ela sabe que eu costumo dar importância demais para coisas que merecem importância de menos. [Preciso de um dosador com urgência!]
Minha grande parte, a outra parte, disse que lamenta muito. Afinal, ela sabe... Pessoa certa. Distância errada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário