terça-feira, 21 de agosto de 2012

E esse ciúme que bate no meu coração...


O método pelo qual me inspirei a escrever esse post foi extremamente didático. Quase uma sequência ensinada em cursinhos pré-vestibular: como escrever uma boa dissertação?  Aparece um tema, depois você faz uma pequena pesquisa intelectual, lê textos de outros gêneros na mesma temática, constrói sua opinião pessoal, escreve as ideais em tópicos e depois, finalmente, redige o texto.

Nas últimas semanas me apareceu um tema recorrente: o ciúme. Li uma reportagem sobre ciúme doentio como razão de crimes numa revista. Fiz uma pesquisa de opinião com algumas amigas da faculdade. Formei uma tese pessoal sobre como funciona o ciúme no mundo/o ciúme em mim. Escrevi tópicos mentais. E agora, afinal, redijo o texto.

Eu, Gabriele, sou uma ciumenta e não tenho vergonha de admitir. Não gosto, é claro, mas, também não me envergonho. A verdade é que o meu ciúme faz parte do conjunto. É uma peça fundamental, afinal me acompanha desde a primeira infância. As minhas barbies eram ciumentas [e até hoje não entendo porque, mas também eram lésbicas]. Sinto ciúme da minha mãe desde o útero. Sinto tanto ciúme do meu pai que quando criança tinha um pesadelo recorrente de que ele arrumava suas coisas e ia embora, optando por morar com sua outra filha [eu sou filha única!]. Na adolescência, comecei a sentir ciúme dos meus ídolos - "Eu sou Gabriele Johns porque gosto muito mais do Daniel Johns do que você", "Incubus é a MINHA banda preferida!". Foi então que o pior aconteceu: o meu primeiro namorado.

Estava plantada, então, a semente do ciúme amoroso. Hoje é uma flor negra, entre tantas outras mais bonitas, no jardim do meu coração. Especificamente no meu caso não consigo associar ciúme com falta de autoestima. Afinal, sempre tive uma excelente autoimagem e quase sempre um feedback positivo do mundão lá fora. Amorosamente, só não sinto ciúme quando não me importo. Tive muitos relacionamentos, mas só me apaixonei duas vezes: essa e outra. E de uma forma insana tenho menos razões, mas a intensidade desse sentimento é maior. Então concluo: Eu realmente me importo com você [no caso, o meu namorado]. Mais do que deveria, menos do que gostaria, me importo de uma forma gigantesca.

Mas, ciúme do que, afinal?
Nunca soube. E espero algum dia descobrir a resposta. Analisando racionalmente sempre dei mais motivos/fui mais motivo, do que tive motivos para o ciúme. Ainda assim, me acompanha constantemente. A verdade é que esse sentimento só habita corações ignorantes. Coisas acontecem independente dele. Coisas acontecem exatamente do jeito que são para acontecer. Sentir ou não sentir ciúme de uma pessoa não faz dela menos ou mais minha. Não é isso que faz uma pessoa permanecer. Ciúme parece corrente, mas é repelente!

Aprendo a lidar com ele, mas não pretendo viver sem. Por sua causa já vivi brigas homéricas que terminaram lindamente transbordas de um prazer infinito [hum, e isso é muuuuuito bom!]. Quando usado com maturidade, o ciúme é uma arma para o bem. Quando digo arma, digo proteção. Acho que vou registrar a idéia de produzir ciúme em frasco de inseticida... Seria um sucesso no combate as periguetes que no mundo de hoje se proliferam feito baratas!

Sinto ciúme de um jeito um pouco meigo, lúdico. Não sofro no plano da realidade, por isso não o vejo como razão de um crime. Já no plano das ideias... Quando imagino uma "barata" subindo pelo ralo do banheiro na casa do meu namorado agarro minha vassoura imaginária e esmago o seu corpinho até que toda aquela gosma verde seja colocada para fora. Ouço aquele barulhinho da asinha quebrando e a alma da desgraçada descendo para o inferno. Não era mais legal quando estava quietinha no esgoto? Pois é, nada de baratas por aqui!

A verdade é que quando se está num relacionamento que só valoriza o que há de melhor em você até o ciúme pode ser uma coisa boa. Tudo, o que há em mim, com ele, é uma coisa boa. Sinto ciúmes sorrindo, acordo de bom humor na TPM, cantarolo músicas melosas quando deveria estar em silêncio, sinto vontade de dançar na chuva, plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho... só falta me dar mais sorte no truco (:
É, perdi o foco por um momento, voltando...

Manchete: "Jovem atira em adolescente por ciúmes da ex-namorada". Triste. Na minha vida só tem lugar para notícias como: "Jovem ataca namorado... com beijos", "Guerra de travesseiros deixa namorada sem ar por três segundos", "Com ciúme do vizinho, namorado resolve convidar a companheira para morar com ele". E que os outros sentimentos do meu coração não fiquem com ciúme, outro dia eu também disserto sobre eles.  

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