quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Um texto para ser enterrado no jardim


Se você resolver me cobrar direitos autorais pelo uso da sua imagem vou ter que vender um rim para o mercado negro. O que me lembra  nosso acordo de trocar de nome e morar no Paraguai. [Na minha imaginação os melhores mercados desse tipo estão lá]. Já está cultivando o seu bigode, um excelente disfarce. E eu, pronta para uma performance de "I want you (She's so heavy)". É só o que precisamos, afinal. É só o que sabemos fazer: Não ser nós mesmos quando estamos juntos.

Ah, quando estamos juntos...
Estamos no lugar certo. Nós. Tento disfarçar a cor dos meus olhos. Você percebe e sabe que precisa mudar alguma coisa, o time já não está ganhando. Então, você me propõe um lar. Um lar! Precisamos de um jardim onde eu possa enterrar as velhas mágoas. Só você não percebe que fica mais bonito quando está ao meu lado. Tenho fotos para provar! Elas estão na mesma caixa das mágoas, e se não forem colocadas em porta-retratos na nossa estante, serão adubos do jardim. Longe de mim a expressão do seu rosto se torna tão comum. Continua um errante, um típico errante, mais um.

E você... sinto prazer só de pensar na sua existência. Minha insanidade agradece. Nos momentos de ócio não me incomodo em recordar as situações que provocaram nossos risos. Até parece que o tempo não passou, mas passou rápido demais. E reafirmo que a maior alegria daquela sexta-feira não foi tê-lo descoberto, mas compartilhado da minha coragem. Você é grande, maior do que o Universo. A parte triste é que está preso na sua própria liberdade. Sou livre, sou livre, sou livre... Enclausurado na necessidade de estagnar-se nessa afirmação. Os livres, são. Os medrosos, mentem que são. O conheço como a palma da minha mão. Um ponto de interrogação em negrito ?. Seus olhos são mais bonitos que os meus, ainda que os meus sejam lindos. Sua boca é a entrada de um labirinto, ainda que a minha seja a perdição. A cor da sua pele, o seu cheiro, sua risada, seus dentes, os dedos da sua mão, o formato das suas costas, o seu cabelo. Minuciosamente criados para combinarem comigo. Você é uma grande parte de mim, e se eu pudesse mudar isso, [não] mudava.

E apesar de tudo, não estou declarando que sempre estarei ao seu lado. Mesmo porque eu já fui embora. Mas, eu sempre volto só para falar mais uma coisinha que esqueci de dizer naquele outro dia, semana passada, anteontem, ontem, a duas horas atrás. Já tivemos pelo menos umas duzentas últimas conversas. Para nós, nunca haverá um último. Tudo pode acabar... as ilusões permaneceram.

Assistindo ao filme do The Doors pensei "Como Pamela suportava viver ao lado de uma criatura como Jim Morrison?". Considerando as devidas proporções eu a entendo. Você não é genial e nem tão louco quanto ele. Mas, assim como ela, penso em formas de te matar, sinto vontade de ameaçá-lo com uma faca, de gritar mais alto que o céu, de bater na cara de todas as outras mulheres com quem você já esteve e dizer que “você jamais as amará como ama a mim”. E se você me perguntar se eu morreria por você... Eu diria que posso até tentar segurar a sua mão, mas que eu quero viver. E viver muito bem sem sua presença. Nem que seja só pelo sabor da vingança de ser, enquanto você não é. Porque você só É enquanto eu quiser que você seja. Você só existe enquanto eu pensar, escrever e voltar para termos uma última conversa. 


Now, I'm gonna love you 'Til the heaven stops the rain.
I'm gonna love you 'Til the stars fall from the sky for you and I.







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