Os leitores do meu blog que também estão por dentro dos
acontecimentos da minha vida têm me cobrado um post sobre minhas experiências
cirúrgicas. E hoje, durante a aula, eu li um texto muito bem escrito sobre
aceitação corporal*. Com isso, surgiu uma leve inspiração. Bem leve mesmo, pois
ainda não me sinto preparada para compartilhar dores e delícias tão profundas.
Principalmente porque esses acontecimentos não foram opcionais, foi um fardo
que a vida me deu e que eu tive que carregar. Meio serviço de formiga, sabe?
Colocar uma folhinha por vez nas costas e atravessar um longo caminho. Precisei
tirar paciência de partes da minha mente que eu não sabia que existiam.
A dona do blog que eu não sei quem é disse que passou a
enxergar a beleza do próprio corpo depois que encontrou "Alguém gostava
dos meus seios não tão empinados e achava que aquela gordurinha atrás dos
joelhos, que só as pernas roliças têm, são mordíveis". Achei fofo,
principalmente a parte das gordurinhas atrás do joelhos serem mordíveis [mesmo
porque eu ainda as tenho, e não gosto nenhum pouco]. Mas, digo que esse tipo de
aceitação NÃO É UMA ACEITAÇÃO. Afinal, aceitação não têm absolutamente nada
haver com o julgamento de outras pessoas. Se você precisa fazer os olhos de
alguém brilharem para se sentir atraente, te digo que sua autoestima é uma
ilusão e que no primeiro pé-na-bunda-encontrar-ele-com-uma-mais-gostosa o seu
mundo vai ruir e você voltará a se sentir uma gordinha inútil. E aí, minha
amiga, não adianta cantar FireWork em frente ao espelho... não tem solução!
Aceitação é entender que existem somente duas coisas que são
verdadeiramente suas: sua palavra e seu corpo. Ok, sabendo que seu corpo é apenas
seu, você precisa aprender a respeitá-lo e tentar compreender como ele
funciona. Porque as peças mais miúdas dessa máquina são extremamente
individuais. Feito isso, você precisa manter o comando da sua vida nas suas
próprias mãos. Dessa forma, terá segurança para se sentir linda mesmo quando
estiver com o cabelo oleoso da TPM, as unhas roídas, depilação por fazer, 5 quilos
de pança e retenção de liquido, usando calça de moletom e chinelo havaiana tira azul clara.
E todo meu discurso sobre esse assunto é cheio de
propriedade. Nos últimos dois anos perdi uma quantidade enorme de peso [e não
foi por vontade própria não, por que por mim eu estaria comendo 10 mil calorias
de coisas gostosas diariamente] e nos últimos meses perdi uma quantidade enorme
de medidas [na base da cirurgia plástica]. Claro que eu me incomodava muito em
ser gorda [gordinha é o caralho!] e estou mais feliz com o meu corpo de hoje,
mas também sinto falta dos meu decotão cheio de propriedade, da minha
bochechona rosada e fazer todos os limões azedos excelentes limonadas. Hoje meu
manequim é tamanho 42, e meu ex-namorado pragueja que eu não ganhei
absolutamente nada com isso. Na verdade, ganha-se aqui, perde-se ali.
Compreendem como tudo isso é contraditório? Quando eu era
"a gordinha", "a que-rosto-lindo", passava a perna em tudo
quanto era mulher de mini-shortinhos [risos]. É verdade, não passei um dia
solteira durante o meu período menos atraente fisicamente, digamos assim. Pelo
contrário, se você perguntar para meu ex-namorado ele vai elogiar cada
centímetro do meu antigo corpo. E se você perguntar para as mulheres de
mini-shortinhos elas mostraram toda sua revolta [me lembro do dia em que estava
dentro da cabine do banheiro da faculdade e ouvi umas piriguetes dizendo
"inacreditável que aquela gorda tem namorado e eu não" - sinto pena].
E sabe porque eu nunca perdi nada, independente do tamanho da circunferência?
Porque eu sempre tive a minha vida nas mãos. Porque pode tudo mudar, mas meus
valores continuam os mesmos.
Eu nunca me achei bonita porque alguém estava me achando bonita. É exatamente o contrário, eu sempre fiz todo mundo reconhecer a minha beleza porque sempre valorizei tudo o que existiu/existe/existirá no meu corpo. E podem todos os homens do mundo elogiarem o tamanho da minha coxa, mas estou de saco cheio delas e serão as próximas a entrarem na faca. Porque eu não gosto. Porque eu não quero. Porque o corpo é meu e eu faço o que quiser com ele.
E você, faça o que quiser com o seu.
E deixe que alguém morda suas gordurinhas atrás do joelho! (;
E você, faça o que quiser com o seu.
E deixe que alguém morda suas gordurinhas atrás do joelho! (;
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