"Esse negócio de amor de malandro só dá certo em ópera do Chico Buarque."
Amor de malandro?
Engraçado como desde que fui iniciada nos "jogos da paixão" nunca permaneci por muito tempo solteira. Entretanto, estive sozinha grande parte dele. As pessoas estão sempre envolvidas, mas nunca estão verdadeiramente acompanhadas. Porque ser acompanhado, assim como ser companhia, dá muito trabalho. Ainda mais num mundo em que existe tanta disponibilidade, facilidade e um bando de gente bonita amontoada andando na mesma direção, contando as mesmas histórias. Eu, particularmente, gosto mais de uma boa conquista do que das facilidades que constantemente me são oferecidas. Machuca, mas prefiro a estrada.
Uma vez me falaram que eu era perfeita demais e isso espantava "pretendentes". Primeiro que "predentende" só me serve se a pretenção for me fazer feliz [é egoísmo, mas eu tenho que ser a líder]. Segundo que essa afirmação é escandalosamente absurda. Tenho muitas qualidades, e uma vontade enorme de me transformar em homem e flertar comigo mesma. Mas, se eu fosse mesmo perfeita, estaria acompanhada e seria companhia. Outro motivo que me leva a regar esse jardim são as milhares de regras que precisamos seguir. Odeio regras. E o jeito que gosto de conduzir as coisas não combina com o resto da humanidade. Então, eu fico assim, meio perdida. E se eu resolvesse fazer exatamente aquilo que estou com vontade? Mas, e se for cedo demais? E se não der certo? E se ele tiver chulé? E se ele não gostar do dedo mindinho do meu pé? E se, E se, E se, E se, infinitamente...
Houve um tempo, com menos experiência, que eu tinha coragem e dançava a minha música. Não pensava no "E se". Não pensava. Depois de tanto soco no estômago me tornei uma banana. Sou bonintinha, devia ser piriguete. Mas eu, muito burra, emburreci de vez e me tornei indiferente. Uma boboca que finge não acreditar, acreditando. Aí, então, quando você menos espera, no meio de seis bilhões de pessoas [é esse o número de habitantes da terra?], está um malandro, pronto para te endoidecer e te colocar numa fruteira. Você não se importa mais de ser uma banana, desde que seja a dele.
Se eu pudesse ter um desejo realizado escolheria comprometimento. Pena que isso não existe. Mais fácil chover sapos [referência cinematográfica]. Como mensurar o imensurável? Como transformar uma semente tão singela em árvore? Eu quero ter uma árvore com alguém que entre tantos explodiu. Ainda que essa árvore seja uma bananeira. Não quero um amor de malandro. Só quero muita malandragem no amor.
E agora vem o mais difícil. A realidade. Saber que ele existe. Esteve. Está. Mas que merece um morango, uma pêra, uma tangerina... Não uma banana.
Adorei seu texto, querida. Identifiquei-me muito com ele! Escreveu tudo o que eu não consegui expressar da última vez. É bem assim que nos sentimos, né? E acho muita cara de pau nos chamarem de perfeitinhas; somos as perfeitinhas para ser amiga, titia, qualquer coisa, menos companheira. Infelizmente homens gostam de ser tratados mal, eles adoram as vadias, nos sabemos que é verdade. Mas não baixaremos o nível, porque mamãe criou, sim!, a leite com ovomaltine, e somos, sim, muito mimadas e bem educadas.
ResponderExcluirSabe o que é engraçado? Vou postar isso que acabei de pensar, não vou te dizer, para não estragar a surpresa hahaha :x
<3 se cuida, cat.